top of page

Fim do Vale Europeu? Projeto na Alesc reacende disputa pelo nome da região

  • Foto do escritor: REDAÇÃO
    REDAÇÃO
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

A Região Metropolitana formada por municípios como Blumenau, Pomerode, Gaspar, Indaial, Timbó e Brusque, coloca em evidência uma questão não apenas administrativa, mas cultural e histórica

Benedito Novo – Foto: Divulgação Secretaria Turismo SC
Benedito Novo – Foto: Divulgação Secretaria Turismo SC

O debate em torno do nome “Vale Europeu” reacende discussões profundas sobre identidade, memória e representatividade na região Metropolitana do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. A proposta do deputado Marquito (PSOL) de revogar a Lei Complementar 860/2024, que oficializou a denominação “Vale Europeu”, para a Região Metropolitana formada por municípios como Blumenau, Pomerode, Gaspar, Indaial, Timbó e Brusque, coloca em evidência uma questão não apenas administrativa, mas cultural e histórica.


Para Marquito, ao oficializar o termo “Vale Europeu” em 2024, o Estado privilegia exclusivamente a colonização europeia como marco identitário da região, ofuscando a presença e o legado dos povos indígenas Laklãnõ-Xokleng, primeiros habitantes da área, que sofreram violência e extermínio durante o processo colonial. Ele argumenta que a antiga designação “Vale do Itajaí” possui um caráter geográfico claro e mais inclusivo, remetendo diretamente ao Rio Itajaí-Açu, símbolo natural que transcende identidades étnicas específicas. Além disso, levanta a falta de consulta prévia às comunidades indígenas, contrariando dispositivos constitucionais e internacionais.


Por outro lado, a resistência de representantes locais, como Napoleão Bernardes (PSD), reflete o peso da tradição cultural e econômica ligada à herança europeia, especialmente alemã, italiana, austríaca e polonesa. O nome “Vale Europeu” passou a representar uma marca consolidada, valorizando a arquitetura típica, festas tradicionais como a Oktoberfest e a Fenarreco e a identidade construída pela imigração. Segundo Bernardes, essa nomenclatura não anula o “Vale do Itajaí” nem desconsidera os povos originários, uma vez que o território maior mantém seu nome indígena e suas subdivisões regionais.


O embate demonstra como a escolha de um nome vai muito além de um título oficial: trata-se de reconhecer narrativas históricas múltiplas e, sobretudo, da importância de incluir todas as vozes na construção da identidade regional. A decisão da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa de Santa Catarina deverá equilibrar o respeito à diversidade cultural com o reconhecimento da memória e dos direitos das comunidades indígenas, promovendo um diálogo democrático que ultrapasse a simples nomenclatura para abordar a complexidade social da região.

Comentários


  • Ícone do Facebook Branco
  • Instagram - White Circle

© 2023 por Oli Comunicações Ltda. 

Rua Carlos Mueller, 451 - Bairro Testo Rega - Pomerode-SC

WhatsApp e Telegram: (47) 99949-5740

E-mai: jorcidadepomerode@gmail.com

bottom of page